Profissionais da Educação participam da palestra “Angústia e frustração no magistério numa visão da psicanálise”

Profissionais da Educação participam da palestra “Angústia e frustração no magistério numa visão da psicanálise”

Diretores, pedagogos e professores da Rede Municipal de Ensino participaram na noite desta segunda-feira (22/07), na EMEF Marechal Costa e Silva, de uma palestra intitulada “Angústia e frustração no magistério numa visão da psicanálise”, com a participação do Presidente do SINDPES- Sindicato dos Psicanalistas do Estado do Espírito Santo, Dr. Alberto Mário Poltroniere e da Pedagoga da Associação Capixaba de Psicanálise – ACAP, Drª Chelri Sulan Batista Elen – ACAP.

O objetivo desse encontro foi buscar esclarecimentos quantos às frustrações no magistério, e ao mesmo tempo, trazer motivação no desempenho das atividades no dia a dia para poder oferecer aos alunos melhores condições de aprendizado.

A primeira palestra foi proferida pelo Presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado do Espírito Santo, Dr. Alberto Mário Poltroniere. Ele falou, dentre outras coisas, da Síndrome de Burnout, um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse provocados por condições de trabalho desgastantes, cujas classes mais atingidas são justamente os professores, além de Policiais e Bombeiro Militar e policiais estão entre as classes mais atingidas.

De acordo com Dr. Alberto, essa síndrome, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, é um dos fatores que influencia a saúde, entre os problemas relacionados ao emprego e desemprego. Sua principal característica é o estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalhos físicas, emocionais e psicológicas desgastantes. Ela se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso.

A professora Daniele Reis da EMEF Abílio Correia de Amorim, que participou da palestra, comentou sobre as dificuldades encontradas em seu ofício, assim como o que pode ser feito para contorná-la. “Nós sabemos das dificuldades que temos com relação aos nossos recursos. Mas um outro fator determinante é o fato de não nos conhecermos bem. A partir do momento que a gente se conhece, que criamos empatia, conseguiremos entender as dificuldades do outro. Isso tudo colabora e muito para transformar e melhorar o ambiente de trabalho e familiar”, ressalta.

Quem eu sou?
A Pedagoga da Associação Capixaba de Psicanálise – ACAP, Drª Chelri Sulan Batista centrou seu discurso no quanto é importante a pessoa conhecer a sim mesma. “Quando percebemos que podemos tomar posse do espelho, podemos criar uma prática de olharmos para a gente mesmo e falar o quanto isso é importante. Por isso convido todos vocês a buscarem uma viagem para o interior de cada um, se auto conhecer e entender que somente vocês podem ser responsáveis pela resposta a ser dada ao mundo. Por isso eu pergunto: Quem sou eu”?

Diante disso, Chelri perguntou se alguém da plateia poderia se apresentar e dizer quem ela era. A professora Roberta pegou o microfone e contou um pouco de sua história. “Eu fiquei um tempo for da sala de aula vivenciando outras boas experiência na Secretaria de Educação. Tudo que está sendo falado aqui, senti que foi direcionado a mim, porque passei por situações difíceis, como os problemas psicológicos que surgem durante nossa caminhada, pois vai completar uma década que passo por isso”, comenta.

Roberta se abriu aos colegas de profissão falando sobre suas angústias e que foi um grande desafio retornar às atividades. “Não tenho vergonha de dizer, pois tenho colegas aqui que me acompanham há muito tempo, e quando chegava o fim do ano, estava esgotada. Foi quando comecei a ter síndrome do pânico, associada à depressão. Por isso temos que buscar nos ressignificar todos os dias. Quem passa por isso sabe, e para nos manter em pé, temos que seguir por conta própria, buscando dar o melhor para nos fortalecer”, comenta.

Dando prosseguimento, a Pedagoga Chelri falou qual é o maior desafio que envolve o processo de ensino. “Gerir pessoas é o nosso maior desafio. Em 2020 essa Síndrome de Burnout vai encostar muitas pessoas, porque o maior valor é o nosso emocional, e com isso, o melhor profissional que será inserido no mercado de trabalhado, segundo estudos, é aquele com maior inteligência emocional e que entende que é preciso trabalhar esse lado. Temos que entender a dor do outro”, explica.

Os professores também participaram de uma dinâmica para ver se cada um conseguia se conectar a se respeitar de maneira íntima. “Vocês não têm noção do quanto um abraço ou um sorriso leva um conforto para a alma do outro, porque só de entender e respeitar o silêncio do outro já é um grande avanço”, completa. Ao final das palestras a Associação Capixaba de Psicanálise – ACAP sorteou alguns professores que participarão de aulas e sessões de psicanálise.

TEXTO: Renato Lana
E-MAIL: rfaria@aracruz.es.gov.br

FONTE: http://www.pma.es.gov.br/noticia/87483/